Fiend Club: Katy Towell


Olá ghouls! Estou de volta com mais uma edição do aterrorizante Fiend Club, dessa vez com uma convidada super especial de quem eu sou muito fã! Vem que hoje iremos conversar com: Katy Towell! (You can read the interview in english here.)

Katy Towell é uma designer, ilustradora e escritora estadunidense - mais precisamente de Portland. Ela é a responsável pelo incrível Childrin R Skary, onde tudo é escrito, desenhado e animado por ela. Sonha em um dia se tornar "a velhinha assustadora da casa que todas as crianças da vizinhança contam histórias de fantasmas". 

Se você já parou para observar crianças, deve ter  percebido o potencial delas para serem mórbidas e assustadoras, e é exatamente esse lado delas que vemos nas animações de Katy. Olhos grandes, negros e expressivos, emoldurados por pequenos e pálidos rostinhos, são uma constante nos desenhos de Katy e sua marca registrada - além de muito preto & vermelho. As fantásticas criações de Katy tem tudo para te trazer um gostinho de nostalgia, misturado com aquele medo amigável que muitos de nós adoram sentir - pelo menos eu adoro! 

Há algum tempo que penso em mostrar as obras dela por aqui, pois sei que ainda são pouco conhecidas no Brasil. Eis que resolvi mandar um e-mail pra ela solicitando uma entrevista e, para minha surpresa, ela aceitou! Então é com muito prazer que hoje eu lhes apresento Katy Towell e suas crianças assustadoras!


Grizzly Ghouls: O horror e o macabro são elementos que sempre vemos em seus trabalhos, desde quando você se interessa por esses temas?


Katy Towell: Oh, desde sempre, eu acho. Meu pai costumava ler histórias de Edgar Allan Poe para mim quando eu era pequena, e eu adorava o modo como uma simples história podia ter tanta influência no modo como eu me sentia. Sempre quis ter esse tipo de poder, também.


GG: Como/por que você começou a escrever e fazer arte?

KT: Eu nem tenho certeza do porquê, sério. Era só algo que eu sempre quis fazer. Eu adorava arte e leitura, e queria fazer coisas interessantes, também. Eu escolhi vários hobbies ao longo do tempo, mas sempre retorno para a arte e a escrita.


GG: Há algum poema/história/arte de que você se orgulhe mais? Por quê?

KT: Creio que tenho mais orgulho da minha próxima novela literária, Charlie and the Grandmothers. Aprendi tanto sobre escrever desde minha primeira novela, e sinto que fui capaz de dar o melhor de mim nessa. É uma história mais assustadora e eu me diverti tanto ilustrando-a de uma maneira sombria no estilo art nouveau, que eu não havia tentado em ilustrações a mão antes. Estou animada para que adultos e crianças a leiam!


GG: O que você gostaria que as pessoas sentissem ao ver suas criações?

KT: Eu sempre quero que as pessoas se sintam um pouco perturbadas, mas também quero que vejam humor em meu trabalho. Mesmo minhas histórias mais sérias têm a intenção de provocar uma risada aqui e ali. Mas, acima de tudo adoraria saber que eu já inspirei alguém. Acho que é a maior honra que qualquer artista ou escritor pode receber.

GG: Música é um aspecto importante das suas animações, como funciona essa parte do processo criativo (como você escolhe a música que será colocada na animação e afins)?

KT: Escolher a música é uma das primeiras coisas que eu faço, na verdade. Tenho algumas fontes que utilizo para escolher e adquirir a licença das músicas. Quando sei o que vai ser minha próxima animação de modo geral, passo horas e horas procurando pela coisa certa. Espero até encontrar aquela que me cative de primeira. Às vezes nem termino de escrever o que vou animar até que eu encontre a música, pois frequentemente esta pode me inspirar e levar a história original para uma direção que eu não havia pensado antes.


GG: Ainda sobre música: quais são seus artistas favoritos e como (ou se) seu gosto musical afeta seu processo criativo?

KT: Meus favoritos são Tom Waits e Nick Cave. Suas músicas parecem histórias antigas que geralmente passam uma melancolia que eu adoro. A atmosfera é muito importante em uma boa história. Creio que o que me atrai em suas composições é também o que me inspira para escrever minhas histórias. Eu simplesmente adoro uma boa história misteriosa.

GG: Que outros artistas/autores te inspiram? E o que neles é inspirador?

KT: Amo o estilo dos artistas do final do século 19/começo do século 20, como Harry Clarke, Kay Nielsen e Aubrey Beardsley. O traço é tão deslumbrante, e sempre um pouco perturbador com uma misteriosa e graciosa estrutura e intensos detalhes. Meus autores favoritos são Roald Dahl, Neil Gaiman e até mesmo Salman Rushdie. Todos eles tem uma qualidade mágica em suas narrativas que me fascina. Adoraria ter o mesmo efeito em meus leitores e espectadores.


GG: Você geralmente tira inspiração de situações da vida real?

KT: O tempo todo! E não sempre da minha vida pessoal. Honestamente, creio que todo mundo tira inspiração de situações da vida real, mesmo que apenas subconscientemente. A vida é cheia de inspiração por toda parte. Isso nos ajuda a tirar algo das situações boas e ruins.


GG: E a última: pode nos contar sobre projetos/sonhos que tenha no momento?

KT: Tenho algumas animações sendo produzidas que anunciarei em breve! Mas, como mencionei anteriormente, estou mais animada com Charlie and the Grandmothers, os livros estarão disponíveis para venda em 4 de agosto!

Teaser do livro "Charlie and the Grandmothers"

"The Mockingbird Song" conta a história de Shawnee Jenkins 
e seus pais que vivem no porão e comem gente. Um dos meus favoritos.

Sombrio e melancólico "Agony" é um dos mais belos poemas da artista.

Eu optei por não colocar aqui todas as minhas animações favoritas, pois seriam quase todas, mas vocês podem vê-las nos links que vou deixar; O primeiro livro de Katy "Skary Childrin and the Carousel of Sorrow" pode ser adquirido aqui, em breve "Charlie and the Grandmothers" estará disponível. Para conhecer mais do trabalho fantástico de Katy Towell: visite skary.com, apague as luzes e aprecie a viagem! Espero que tenham gostado da entrevista, eu amei! Foi maravilhoso poder falar com uma das artistas que mais admiro, fiquei ainda mais apaixonada por ela - se é que isso é possível. Até o próximo Fiend Club!

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